12:30
>> A semana: Essa semana foi marcada por uma grande liquidação de posições em commodities, iniciada pela queda histórica da Prata. Esse ano foi marcado por dois movimentos distintos, porém intimamente relacionados.
1º) A manutenção do extremo quadro de liquidez nos EUA, levando o Dólar para níveis historicamente baixos. Aliado a isso, a necessidade de reativação da economia japonesa após os desastres recentes também necessitam do mesmo tratamento – injeção de liquidez. Porém, ambas economias são incapazes de absorver tamanha injeção de liquidez, tornando economias mais aquecidas destino certo para tal fluxo – lembrando keynes e sua analogia de empurrar uma corda e injetar liquidez em economias que apresentam capacidade ociosa e falta de confiança. Do outro lado, não só investidores, mas também governos (superavitários) buscam alternativas para suas reservas que não o Dólar, gerando pressão sobre os preços de matérias primas e moedas de economias exportadoras de recursos naturais. Tal quadro (extrema liquidez e preços em alta) sofreu forte aceleração devido aos problemas de choque de oferta de energia ligado aos acontecimentos no Oriente Médio.
2º) Enxurrada de Dólares e Yens e preços de commodities em alta tornaram a tarefa dos BC´s muito difícil na medida em que as expectativas inflacionárias foram saindo de controle. Assim, praticamente todos BC´s (exceção Japão e EUA) passaram a introduzir em seus statements preocupação com o excesso de fluxo e alta das matérias primas, indicando maior aperto monetário e utilização de todo arsenal de política monetária a fim de ancorar as expectativas. Na semana que passou, os efeitos sobre a demanda vieram a tona na medida em que a atividade industrial nos emergentes passaram a demonstrar os efeitos dos recentes apertos. Assim, a aposta nas commodities teve um de seus alicerces rachado – a demanda. Esse segundo momento é agravado pela natureza do fluxo - alavancagem das posições de fundos via operações de carry-trade em combinação ao constante aumento das margens de garantias. O resultado é que a saída é sempre mais estreita.
3º – provável) Não podemos esquecer que os dados recentes da economia americana mostram divergências – queda nas vendas no varejo, aumento inesperado dos pedidos de seguro desemprego e queda na atividade dos setores industrial e de serviços, não permitem que o FED retire seu amplo arsenal de injeção de liquidez. Aliado a isso, o governo americano não demonstra consenso sobre a necessidade de redução do déficit e do endividamento (deverão votar o teto ainda esse mês). Caso os dados por lá continuem piorando, é provável que o mercado comece a falar em QE3*. Nesse caso, voltaremos ao 1º cenário e seus efeitos.
* Programa de injeção de liquidez do FED via compra de títulos do tesouro americano – o FED resgata os títulos injetando dólares na economia.
10:00
>> Os dados mostram alta na taxa de desemprego por um efeito natural de uma economia que está buscando seu PIB potencial. Na medida em que a economia volta a se aquecer a confiança das pessoas volta a subir, levando as mesmas a buscar emprego. Nesse caso, mais pessoas voltam às estatísticas do governo, aumentando a força de trabalho e consequente alta nas taxas de desemprego.
>> Outro ponto que está segundo a queda na taxa de desemprego é a queda no valor líquido e no rendimento das aposentadorias, forçando muitos americanos a permanecerem mais tempo no mercado de trabalho. Além disso a mobilidade das famílias americanas está menor. O mercado de trabalho americano sempre foi conhecido pela sua flexibilidade, onde as pessoas estão sempre se deslocando denrto do país atrás de novas vagas de trabalho. Após a crise das hipotecas está mobilidade caiu muito devido a um fator técnico. Como mais de 11 milhões de residências nos EUA estão em condição “under water”, ou seja, o valor da hipoteca supera o valor de mercado da residência, as famílias simplesmente não conseguem começar uma nova vida em outro Estado, pois não há saldo líquido na venda de suas casas.
9:30
>Payroll privado: Revisões dos dados de Fevereiro e Março somam +32 mil
>Taxa de desemprego veio em 9%; anterior 8.9%; esperado de 8.8%. >> A taxa subiu em conjunto com o aumento da força de trabalho (aumento de 15 mil pessoas na força de trabalho). Detalhes abaixo:
>Payroll Privado: veio +268 mil vagas, esperado +200 mil; Março revisado de +230 para +231 mil
>Payroll total (incluindo setor público): veio +244 mil vagas, esperado +185 mil; Março revisado de +216 mil para +221
>Número de desempregados subiu de 13.54 Milhões de pessoas para 13.74.
>Governo cortou 24 milvagas; Corte de 60 mil vagas em 3 meses
>Ganho médio por hora trabalhada: alta de 0.2%; esperado +0.2%
>Número de Horas semanais trabalhadas: alta de 0.1h par 34.3 horas
>Número de pessoas que estão desempregadas a mais de 27 semanas: queda de 283 mil para 5.84 milhões (44.8% do total de desempregados), contra o pico de 6.8 milhões em Maio/10.
>Número de Subempregados – aqueles que estão trabalhando meio período, mas gostariam de trabalhar período cheio: subiu 167 mil para 8.6 milhões.
Detalhes: Abr/Mar/Fev/Abr2010 (em 1.000)
- Construção: +5/+2/+39/+16
- Mineração: +10/+13/+5/+7
- Manufatura: +29/+22/+37/+38
- Bens duráveis: +19/+21/+28/+29
- Motores e componentes: +2.9/+2.5/-0.5/+5
- Bens n-duráveis: +10/+1/+9/+9
- Serviços: +224/+194/+180/+168
- Varejo: +57.1/-3.2/+0.1/+15.9
- Transporte e Armazenagem: +4.1/+3/+17/+4.8
- Setor financeiro: +4/+5/-1/+5
- Temporário: -2.3/+34.4/+11.5/+21.1
- Serviços Profissionais: +51/+86/+38/+69
- Educação e Saúde: +49/+33/+43/+27
- Lazer e hotelaria: +5/+14/+2/+14
- Governo: -24/-10/-26/+48